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Allianz Trade prevê crescer acima de 22% em 2022

“Crescemos num ritmo de acima de 20% ao ano desde 2017 e com tecnologia embarcada acredito que este ritmo se acelere, tendo com base a baixa penetração do seguro de crédito no Brasil”, afirmou o CEO Marcel Farbelow

 – 13/09/2022 –  www.sonhoseguro.com.br

O Brasil faz parte da estratégia mundial do grupo alemão Allianz Trade (ex-Euler Hermes), empresa global especializada em seguro de crédito e garantia. Enquanto o grupo é líder no mundo, no Brasil ocupou a segunda posição do ranking, com prêmios emitidos de R$ 164 milhões, o que representou 20% de participação de mercado, com base em dados de 2021 da Susep, órgão regulador do setor do setor de seguros. A expectativa do CEO da marca no Brasil, Marcel Farbelow, no cargo há seis meses, é avançar. Se repetir o resultado do primeiro semestre, com avanço de 22%, encerrará 2022 com uma receita com seguros e serviços em torno de R$ 190 milhões, considerando seguro de crédito e seguro garantia.

Diversificação de portfólio é uma prioridade e isso se dará através de produtos digitais entrando em segmentos de pequenas e médias empresas, contou ele durante um almoço na sede da empresa em São Paulo com o blog Sonho Seguro. “Crescemos num ritmo de acima de 20% ao ano desde 2017 e com tecnologia embarcada acredito que este ritmo se acelere, tendo com base a baixa penetração do seguro no país em praticamente todos os ramos”, diz o CEO da Allianz Trade, que atua há mais de 100 anos globalmente e 20 anos no Brasil.

O seguro de crédito ganha destaque em momentos de cenários econômicos complexos e incertos, como o atual, que, podem trazer a elevação da inadimplência. O produto visa garantir possíveis problemas de inadimplemento das empresas com seus clientes. Para mitigar o risco, há uma equipe especializada em análise de crédito, que presta serviços para que o cliente saiba exatamente a situação financeira da empresa com quem está negociando e cenário macroeconômico do segmento e do país. Em caso de imprevistos que concretizem o risco, a seguradora se compromete a pagar a indenização ao segurado dos prejuízos, conforme estipulado na apólice, decorrente do não pagamento de seus clientes.

O produto está disponível para empresas de qualquer segmento, cada qual com sua taxa de risco, e cobre seguro de crédito doméstico, à exportação e até FIDCs, que são fundos de investimentos em direito creditórios, indenizando o risco de inadimplência por parte do cedente. “O seguro cobre um risco que o FIDC não é capaz de mitigar, como a insolvência de uma empresa, o que melhora a qualidade dos ativos. Temos promovido encontros e webinars para tornar o produto mais conhecido dos gestores”, conta. A primeira apólice fechada neste nicho de negócio foi em 2016.

Os executivos deste segmento tiveram momentos de tensão durante a pandemia, quando se esperava um grande índice de inadimplência em todo o mundo. Em alguns países, as seguradoras que operam no crédito chegaram até a negociar um acordo com o governo para que a conta fosse dividida entre ambos os lados, uma vez que pandemia era um risco excluído em boa parte das apólices. No entanto, os governos investiram forte em subsidiar as empresas para mitigar o risco de recessão das economias. E, com isso, o índice de falência ou pedidos de recuperação judicial se manteve em patamares estáveis, o que preservou as seguradoras.

O CEO não aposta em aumento na sinistralidade para 2022, mesmo neste cenário tumultuado de eleições presidenciais acompanhado por baixo crescimento da economia. No Brasil, por exemplo, o índice combinado em 2021 foi de 15,8%, muito abaixo do que se costuma registrar em outras linhas de negócios, como automóvel, por exemplo, com média de 65%. Especificamente a Allianz Trade registrou índice combinado de 14% em 2021. De acordo com a Susep, a sinistralidade do mercado passou de 35% em 2019 para aproximadamente 50% em 2020, o que evidencia esse cenário.

“Mantemos um baixo índice de pedidos de indenizações, o que nos fortalece para investirmos em melhorias no fluxo de informações, gerando assim mais qualidade e agilidade na jornada de contratação do seguro e prestação de serviços para clientes. Também apostamos nas parcerias com corretores especializados e no treinamento de profissionais que queiram ingressar neste segmento que tem grande potencial no Brasil”, afirma.

Farbelow acredita que o setor pode ajudar na conscientização dos empresários de que é importante contar com proteção independentemente do tamanho da empresa. Ele defende a ideia de que o seguro de crédito é uma ferramenta de mitigação de riscos de inadimplência das empresas junto ao seu portifólio de clientes, contribuindo para maior previsibilidade da performance do contas a receber, evitando assim grandes flutuações em momentos de crise, bem como livra ativos do patrimônio para fins de solvência ao ter em seguro.

O seguro garantia judicial também é uma grande aposta do CEO da Allianz Trade e já representa 20% do faturamento da companhia. Só que aqui, diferente do seguro de crédito com produtos sob medida e cerca de cinco concorrentes, o segmento judicial é praticamente uma commodity e hoje conta com dezenas de seguradoras atuantes, numa briga acirrada por substituir os depósitos judiciais por uma apólice de garantia. Ganha mercado a seguradora que entregar uma jornada ágil e amigável ao corretor parceiro.

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Excess-of-loss cover to feature more in credit insurance

Large companies are increasingly opting for excess-of-loss credit insurance, with the trend set to grow further in the future.

This was the general consensus at a recent conference on credit risks organised by the German association of risk and insurance managers GVNW.

Claudia Haas, head of market management at Euler Hermes, commented that insurers have become more accommodating to excess-of-loss solutions as companies have grown more sophisticated in their risk and credit management.

She said: “We can now implement comprehensive risk transfer as our clients have the professionalism required to retain certain risks.”

Burkhard Wittgen, member of the executive board at Aon Credit Solutions, agreed. “Excess of loss is becoming more popular, especially among big companies with good credit management. They are able to take care of their own debt collection and risk assessment. The excess-of-loss insurance is then focused on risk transfer,” he said.

Wittgen also noted that clients with traditional credit cover had been affected by capacity reductions during the coronavirus pandemic. On the other hand, companies with excess-of-loss policies enjoyed greater stability as they had no credit limits.

The point was also made that digitalisation is facilitating improved process efficiency and adding transparency to, for example, receivables management or supply chain risks.

This is conducive to excess-of-loss insurance as companies can better segment their business areas and the associated risks.

This trend is part of a wider requirement to improve networking among business partners, stated Tim Hesse, head of broker distribution and partner management DACH at Euler Hermes. He said companies, insurers, fintechs, platforms and broker firms should work more closely together, in order to establish “workable and coordinated solutions”.

Credit insurance is a valuable means of mitigating major risks, such as geopolitical or supply chain issues. As companies become better at identifying which risks they wish to cede, a more partnership-based approach will be needed to align insurance products more closely to clients’ specific requirements.

https://www.commercialriskonline.com/excess-of-loss-cover-to-feature-more-in-credit-insurance/

 

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É preciso reativar o crédito às exportações

Robson Braga de Andrade (*)

Na contramão do que ocorre no resto do mundo, o crédito oficial às exportações, que já enfrentava dificuldades no Brasil, foi reduzido de modo acelerado nos últimos anos. Os dados demonstram a perda de dinamismo e de relevância dos principais instrumentos da política de financiamento às vendas externas no país.

O BNDES-EXIM, principal programa para o setor, diminuiu em 91% os desembolsos entre 2009 e 2019. Em 2019, o valor dos financiamentos de médio e longo prazo foi de US$ 300 milhões. Enquanto isso, países concorrentes, como a China, disponibilizaram US$ 33 bilhões, e outras nações líderes no comércio internacional tiveram uma média de US$ 7 bilhões.

Desde 2016, não há previsibilidade na execução do Proex Equalização, que assume parte dos juros de operações de financiamento para torná-los compatíveis com os cobrados no plano internacional. No ano passado, por exemplo, o programa tinha orçamento de R$ 1,6 bilhão, mas só foram aprovados R$ 600 milhões, o equivalente a 37,5% do total.

O Seguro de Crédito à Exportação (SCE) tem um processo de concessão burocrático e, desde 2019, risco de interrupção, pois o agente operacional do programa, a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), foi incluído no Programa Nacional de Desestatização. Não foi definido, entretanto, como suas imprescindíveis funções serão executadas. O valor das operações aprovadas por meio do fundo garantidor do SCE caiu 83% entre 2010 e 2020.

No mundo, as políticas de crédito oficial à exportação de bens e serviços são centenárias e têm o objetivo último de gerar emprego e renda. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), entre 80% e 90% do comércio exterior conta com algum instrumento de apoio. A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, já declarou que não existe outra maneira eficaz de integrar países em desenvolvimento aos fluxos comerciais multilaterais.

Em períodos de crise econômica, essas políticas são ainda mais importantes, pois atuam em lacunas de mercado, oferecendo crédito que não costuma estar disponível nos bancos privados devido ao pouco apetite por operações de risco. Em razão dos impactos da pandemia de covid-19, as principais Agências de Crédito à Exportação do mundo agiram rapidamente, ampliando ou criando programas para garantir a manutenção dos negócios dos exportadores e auxiliar na construção de relacionamento com novos mercados.

O Brasil precisa reagir. A retomada da política de crédito oficial à exportação é um dos fatores fundamentais para estimular o comércio exterior, a geração de divisas e o crescimento econômico.

Cada R$ 1 bilhão exportados pela indústria brasileira mobilizam 36 mil empregos. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que, de modo geral, empresas apoiadas por instrumentos públicos de crédito à exportação vendem 15% a mais no exterior, ampliam os países de destino em até 70% e aumentam o número de funcionários em até 10%.

Atualmente, o sistema brasileiro de financiamento às exportações ensaia uma reformulação, iniciada pelo governo em janeiro de 2020. Porém, essa mudança ainda não foi concluída – tampouco produziu, até o momento, efeitos concretos na reativação das operações. Como parte essencial das alterações necessárias se referem a normas que precisam ser objeto de lei, é o momento de o Congresso Nacional participar mais ativamente desse trabalho.

A falta de crédito já gerou perdas bilionárias em exportações e prejudicou enormemente a criação de empregos na indústria brasileira. Além da retomada do Seguro de Crédito à Exportação, é essencial ampliar as fontes de custeio para os programas de financiamento e equalização, de modo a assegurar, às empresas brasileiras, a possibilidade de competir em igualdade de condições no comércio global. Apoiar as nossas vendas externas é crucial para a recuperação da economia, a abertura de postos de trabalho e a geração de renda no país.

(*) Robson Braga de Andrade é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O artigo foi publicado nesta terça-feira (21) no Estadão.